Expansão

Expandir para o Brasil: o que você precisa saber antes de contratar a sua primeira equipe

Para startups e empresas de língua espanhola que chegam ao Brasil, um guia honesto do mercado de trabalho que vão encontrar.

Notas BYS · Agosto de 2026 · Martina Bouquet & Mariana Sangiorgi

O Brasil é o mercado que nenhuma empresa em expansão pela América Latina pode ignorar, e ao mesmo tempo o que menos se parece com o resto. Nós, que chegamos de países de língua espanhola, costumamos subestimar a diferença: afinal, é logo ao lado. Depois descobrimos que é outro idioma, outra escala, outro sistema trabalhista e outra cultura de trabalho. Vivemos e trabalhamos em São Paulo, selecionamos talento brasileiro para empresas de fora e fizemos na pele a travessia que a sua empresa está prestes a fazer. Isto é o que vale saber antes do primeiro contrato.

O idioma importa mais do que você imagina

O "portunhol" dá para um jantar, não para avaliar um gerente comercial. As nuances que definem uma entrevista (como a pessoa conta uma conquista, o que uma resposta diplomática esconde, quando um "vamos ver" é um não) se perdem sem o idioma. E do outro lado acontece o mesmo: o candidato brasileiro entrevistado em um espanhol que não domina rende abaixo do que é.

A consequência prática: alguém do processo seletivo precisa ser nativo ou funcionar como ponte real entre os dois idiomas. Se a sua equipe fundadora não tem isso, é a primeira coisa a resolver, porque afeta todas as contratações seguintes.

CLT, PJ e por que a sua planilha de custos está errada

O sistema trabalhista brasileiro tem lógica própria e vale entendê-la antes de montar o orçamento:

  • CLT é o emprego registrado clássico, com direitos e custos que não existem da mesma forma no seu país: além do salário mensal, há 13º salário, férias remuneradas com adicional de um terço, o FGTS de 8% que a empresa deposita todos os meses e encargos que variam conforme o regime tributário da empresa (o INSS patronal de 20%, por exemplo, se aplica em alguns regimes e em outros não). A conta da Contabilizei, uma das maiores contabilidades online do Brasil, dá a escala: o custo total de um funcionário CLT começa em torno de 1,6 vez o salário nominal conforme o regime, e com o pacote completo de benefícios pode subir bastante mais (2025). Orçar com o salário "seco" é o erro número um das empresas que chegam.
  • PJ é a contratação como prestador de serviço: a pessoa fatura por meio da própria empresa. É comum em tecnologia e em cargos seniores, mais simples e de menor custo total, mas tem limites legais reais: se a relação funciona como emprego disfarçado (horário, subordinação, exclusividade), o risco trabalhista é de verdade. Não é um atalho universal; é uma modalidade para os casos em que cabe.
  • A ordem correta é definir primeiro quem você precisa e depois, com assessoria contábil e jurídica local, a modalidade de contratação. As empresas que escolhem a modalidade primeiro acabam contratando o que era cômodo, não o que precisavam.

O que o candidato brasileiro valoriza (e talvez você não esperasse)

Algumas diferenças culturais que vemos sistematicamente nos processos seletivos:

  1. A estabilidade pesa, e mais entre os jovens. O emprego CLT com benefícios tem um valor simbólico forte: segundo uma pesquisa da Serasa Experian, 78,7% dos brasileiros que buscam trabalho preferem o regime CLT à contratação PJ, e na Geração Z a preferência sobe para 92,6% (2026). Contra a intuição do founder hispanofalante acostumado a montar equipes com contractors, aqui é o contrário: uma startup estrangeira oferecendo PJ sem benefícios compete em desvantagem com a empresa local estabelecida. Dá para compensar com projeto, salário ou flexibilidade, mas é preciso saber disso antes de montar a oferta.
  2. Os benefícios fazem parte do idioma. Vale-refeição, plano de saúde, vale-transporte: o pacote de benefícios é um padrão cultural. A ausência dele chama mais atenção do que um HQ estrangeiro imagina.
  3. A relação antes da transação. O estilo brasileiro de trabalho cuida muito do vínculo e da harmonia; o feedback direto demais, ao estilo rio-platense, pode soar agressivo. Isso importa desde a primeira entrevista: o candidato também está decidindo se quer trabalhar com vocês.
  4. São Paulo não é o Brasil inteiro, mas para uma expansão quase sempre é o ponto de partida: o mapeamento da Abstartups e da Deloitte situa no estado de São Paulo 40,7% das startups do país (2024), e é ali que também se concentram o talento de negócios e os clientes corporativos. As decisões de "contratamos remoto em qualquer estado" têm consequências de custo e de fuso horário que vale pensar.

Um dado a mais para calibrar expectativas: contratar no Brasil não é mais fácil do que no seu país. 81% dos empregadores brasileiros declaram dificuldade para encontrar o talento de que precisam, contra uma média global de 74% (ManpowerGroup, 2025). Você vai competir por talento escasso com empresas locais que jogam em casa.

O erro mais caro: contratar a primeira pessoa sem método

A primeira contratação no Brasil costuma ser feita com pressa e por indicação: o conhecido de um investidor, o candidato que fala espanhol e "cai bem". Às vezes dá certo. Quando dá errado, a empresa perde entre seis meses e um ano de expansão, o que em um mercado competitivo custa caríssimo. O primeiro funcionário brasileiro merece o processo mais sério de todos: perfil levantado com o HQ, busca ativa no mercado local, entrevistas em português conduzidas por quem sabe avaliar e uma terna para comparar, em vez de um único candidato inevitável.

Nosso lugar nessa história

A BYS seleciona talento no Brasil para empresas de língua espanhola: levantamos o perfil com a sua equipe em espanhol, buscamos e entrevistamos candidatos em português no mercado local e apresentamos uma terna avaliada, com o contexto cultural traduzido. Somos argentinas, vivemos a chegada ao Brasil em primeira pessoa e operamos de São Paulo. A ponte que a sua expansão precisa é exatamente a que nós atravessamos.

Sua empresa está entrando no Brasil? Escreva para nós antes da primeira contratação. Uma conversa de 30 minutos sobre o mercado que você vai encontrar pode poupar você do erro fundacional.

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