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O que uma psicóloga observa na primeira entrevista
Sinais que pesam mais que o currículo na hora de avaliar um candidato, contados de dentro.
O currículo conta o que uma pessoa fez. A entrevista mostra como ela fez, e é aí que se define se vai funcionar na sua empresa. Não somos só nós que dizemos isso: o estudo Why New Hires Fail da Leadership IQ, que acompanhou 20.000 contratações durante três anos, encontrou que, das que fracassam, 89% fracassam por atitude e fit (não aceitar feedback, baixa inteligência emocional, falta de motivação, temperamento) e apenas 11% por falta de habilidades técnicas. Tudo isso que faz contratações fracassarem vive exatamente no território que o currículo não mostra. Depois de anos entrevistando toda semana, estes são os sinais que aprendemos a observar com muito mais atenção do que a lista de empregos anteriores.
A narrativa, antes dos títulos
A primeira coisa que avaliamos é a coerência da história. Não buscamos carreiras perfeitas: buscamos que a pessoa consiga explicar as próprias decisões. Por que mudou de emprego, por que escolheu aquele setor, o que buscava em cada passo. Alguém que consegue contar a própria trajetória com causas e consequências costuma ser alguém que toma decisões com critério. As lacunas e as guinadas não desqualificam ninguém; o que acende um alerta é não conseguir explicá-las.
Exemplos concretos, não declarações
"Sou muito orientado a resultados" não é informação. "No ano passado a cobrança estava atrasada, propus mudar o esquema de acompanhamento e recuperamos o atraso em três meses" é. Na entrevista por competências pedimos situações reais: o que aconteceu, o que a pessoa fez concretamente, que resultado teve. A diferença entre quem fez as coisas e quem estava por perto quando elas aconteceram aparece nos detalhes: quem viveu consegue descer ao exemplo sem esforço.
Como fala dos empregos anteriores
Não esperamos que ninguém fale maravilhas de todas as suas experiências. Mas há uma distância enorme entre "não era o lugar para mim, mesmo assim aprendi estas duas coisas" e uma lista de culpados. A forma como alguém processa uma experiência ruim de trabalho diz muito sobre como vai atravessar os atritos normais de qualquer equipe.
As perguntas que faz
Um candidato que pergunta sobre a equipe, o chefe, os desafios do cargo ou como o sucesso é medido está avaliando a sério se o trabalho é para ele. Essa pessoa, se aceita, aceita informada, e isso reduz muito o risco de sair em três meses. O silêncio total quando oferecemos responder perguntas também é um dado.
A motivação real
É a variável que mais pesa na permanência e a que menos aparece no currículo. O que essa pessoa está buscando: crescer, estabilidade, aprender algo novo, sair de um clima ruim? Nenhuma resposta é ruim em si mesma. A pergunta que nos fazemos é se aquilo que ela busca está de fato na vaga que estamos preenchendo. Quando a motivação do candidato e a realidade do cargo não coincidem, a contratação pode até se concretizar, mas dura pouco.
O fit com a sua cultura, não com "uma" cultura
Não existe o candidato ideal em abstrato. Existe o candidato adequado para uma empresa concreta: há perfis brilhantes para uma estrutura formal que sofreriam em uma PME onde todos fazem de tudo, e vice-versa. Por isso mapeamos o seu negócio e a sua cultura antes de entrevistar: sem esse contexto, a avaliação é adivinhação.
Por que isso importa se você está contratando
Mais um achado do mesmo estudo da Leadership IQ: 82% dos hiring managers reconheceram que, olhando para trás, tinham visto sinais de alerta na entrevista do candidato que depois fracassou. Os sinais estavam lá; faltou alguém treinado para lê-los e o tempo para fazer isso. Esse é exatamente o nosso trabalho.
Tudo o que está acima é o que existe por trás de cada candidato que apresentamos a você em uma terna de candidatos. Quando chega um perfil avaliado por nós, ele já passou por esse olhar: narrativa, exemplos reais, motivação e fit com a sua cultura, além dos requisitos técnicos do cargo. É isso que permite decidir entre três finalistas reais em vez de começar a conhecer gente do zero.
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